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MIGUEL COUTO RAMOS Assessoria Financeira Independente

II · Conceito e especialidades

O que a intervenção é

Intervenção onde a decisão é tomada. Hoje, sobretudo em conselhos de administração e comitês de investimento; e, quando a operação o justifica, na mesa de negociação.

Posicionamento

Metodologia focada em resultados

Assessor especializado em reorganizações empresariais complexas — as que têm, ao mesmo tempo, um problema financeiro, um problema societário e um problema de operação, e em que resolver um sem os outros não resolve nada.

O método é o mesmo em qualquer mandato: identificar o problema real por trás do problema declarado, desenhar a solução que a operação consegue cumprir e conduzir a negociação até o acordo. O problema declarado é quase sempre o sintoma mais visível, raramente o que decide o desfecho.

Alia conhecimento de estratégia e de finanças corporativas a relações de longa data com bancos, credores, investidores nacionais e estrangeiros, fundos de private equity e famílias empresárias no Brasil e em Portugal.

O mandato termina no fechamento, não na entrega do parecer. Nas operações de maior dimensão a função é de coordenação, com uma casa parceira assegurando equipe e execução; nas de menor volume de trabalho, ainda que de maior complexidade, a condução é integralmente própria.

Uma operação decide-se em três ou quatro momentos. O mandato é estar presente nesses.

Setores

Indústria e infraestruturas · agronegócio · energia · imobiliário · serviços financeiros · consumo e mídia. Lista indicativa dos setores em que há histórico, não de limitação: não há setores excluídos por princípio.

Geografias

Brasil e Portugal — mandatos transfronteiriços em múltiplas moedas e jurisdições

Contrapartes

Acionistas e famílias · conselhos · credores e bancos · fundos e investidores institucionais · reguladores

Origem dos mandatos

O que traz um mandato

Cinco situações concretas. Em todas, a decisão é societária antes de ser técnica — e é por isso que chega a um conselho. Cada uma aponta para as especialidades que convoca.

Boa parte dos mandatos parte de uma situação de reestruturação — financeira, societária ou operacional. Nenhuma destas situações se resolve com a entrega de um relatório: resolve-se conduzindo a negociação até o acordo, e respondendo por ele depois.

O conceito

O âmbito da intervenção

Quinze especialidades, em três linhas de serviço, mobilizadas isoladamente ou em conjunto. Um mandato de reestruturação convoca tipicamente quatro ou cinco delas em simultâneo — é essa combinação, e não cada especialidade isolada, que define a prática.

Assessoria estratégica

Reestruturação e situações especiais

Conselhos, acionistas e famílias

Especialidades

O leque de serviços de assessoria

Linha de serviço 01

Assessoria estratégica

Especialidade 01

Assessoria em fusões e aquisições

Aquisições conduzidas do primeiro contato ao fechamento — com o preço e a estrutura definidos antes de a negociação começar.

  • Definição da tese de aquisição e construção do universo de alvos, com critérios explícitos de seleção e de exclusão.
  • Avaliação do valor econômico de cada alvo e fixação da faixa de preço que a tese suporta — o limite define-se antes da negociação, não durante.
  • Coordenação da due diligence e tradução das suas conclusões em ajuste de preço, capital de giro de referência, declarações e garantias e condições precedentes.
  • Desenho da estrutura: veículo, instrumentos, mecanismo de preço — caixa e dívida líquida ou conta de fechamento —, calendário de pagamento e earn-out.
  • Condução do processo negocial até o fechamento, com acompanhamento da integração quando o mandato o prevê.

Situações típicas

  • Crescimento por aquisição em mercado fragmentado
  • Entrada num novo mercado ou geografia
  • Consolidação setorial com janela de oportunidade

Entregáveis

  • Universo de alvos e critérios de seleção
  • Avaliação e limite de preço fixados antes da mesa
  • Estrutura, mecanismo de preço e termos negociados

O que decide o resultado O limite de preço fixado antes de a negociação começar. Quem só o define na mesa já não o define.

Especialidade 02

Desinvestimentos e vendas de empresas

A venda de uma empresa decide-se na preparação: quem se aborda, por que ordem e com que informação em cada fase.

  • Escolha da dinâmica de venda — bilateral, processo restrito ou leilão competitivo — em função do ativo, do tempo disponível e do risco de exposição.
  • Preparação do ativo: normalização do EBITDA, organização societária e due diligence prévia do vendedor, que antecipa os pontos que o comprador usaria como alavanca de preço.
  • Construção do teaser anónimo e do memorando de informação, carta de processo e data room em etapas, com controle do que se revela em cada ronda.
  • Identificação e abordagem dos compradores, estratégicos e financeiros, com racional próprio para pagar acima do valor autónomo.
  • Condução do processo — manifestações não vinculativas, lista curta, propostas firmes e exclusividade — com relatórios periódicos de andamento ao órgão que decide.

Situações típicas

  • Ativo não estratégico ou fora do núcleo do grupo
  • Necessidade de liquidez ou de reduzir alavancagem
  • Sucessão sem continuidade familiar

Entregáveis

  • Teaser, memorando de informação e data room em etapas
  • Lista longa e lista curta com racional de cada comprador
  • Relatórios de andamento e processo conduzido até o fechamento

O que decide o resultado A preparação do ativo antes de abrir o processo. Um ativo levado a mercado por organizar negocia-se sempre a desconto.

Especialidade 03

Joint ventures e parcerias

Desenho e negociação de parcerias societárias — do racional estratégico ao acordo que governa a relação entre os sócios.

  • Avaliação do racional econômico e da complementaridade entre os parceiros.
  • Definição da estrutura societária, das entradas de capital e da repartição de resultados.
  • Negociação do acordo de acionistas: governação, impasses, entrada e saída de sócios.
  • Acompanhamento da execução e da relação entre os parceiros ao longo da vida da parceria.

Situações típicas

  • Projeto que exige capital e competências de dois lados
  • Entrada num mercado com parceiro local
  • Partilha de risco num investimento de grande dimensão

Entregáveis

  • Estrutura da parceria e repartição de capital
  • Acordo de acionistas negociado
  • Mecanismos de governação e de resolução de impasses

O que decide o resultado As regras de saída, acordadas enquanto as partes ainda se entendem. É o que a parceria não previu que a desfaz.

Especialidade 04

Monetização de ativos (IPO)

Preparar a companhia e o acionista para o mercado — do lado do emitente, nunca do sindicato colocador.

  • Avaliação da alternativa antes do processo: abertura de capital, venda estratégica e entrada de investidor financeiro raramente valem o mesmo para o acionista.
  • Preparação da companhia — plano de negócios, equity story, órgãos sociais, reporte e controle interno — no prazo que o mercado exige.
  • Seleção e negociação do sindicato — coordenadores globais, bookrunners, advogados e auditores — incluindo comissões, lock-up e compromisso de cobertura.
  • Coordenação do sindicato e dos assessores em todas as etapas, com o acionista mantendo o controle do calendário.
  • Assessoria na definição da faixa indicativa, na leitura do bookbuilding e na decisão de avançar, reajustar ou retirar a oferta.

Situações típicas

  • Preparação para abertura de capital
  • Acionista à procura de liquidez parcial
  • Necessidade de disciplina de reporte antes do mercado

Entregáveis

  • Plano de negócios e equity story revistos
  • Sindicato constituído e mandatos negociados
  • Oferta coordenada do bookbuilding à admissão

O que decide o resultado Ter o dossiê pronto antes de a janela abrir. A janela abre e fecha; o material não se improvisa.

Especialidade 05

Real estate

Dentro de um grupo industrial ou familiar, o imobiliário raramente é gerido como ativo autónomo — e quase sempre vale mais do que o balanço mostra.

  • Inventário e avaliação da carteira, separando o que é operacional, o que é excedentário e o que é reserva de valor.
  • Plano de valorização — reconversão de uso, licenciamento, desenvolvimento ou alienação — com o retorno de cada via comparado.
  • Estruturação do financiamento e das parcerias de capital, incluindo sale and leaseback quando o uso operacional tem de ser preservado.
  • Originação e estruturação de projetos de desenvolvimento, do terreno ao arranque da obra.
  • Acompanhamento da execução e da gestão do ativo até a monetização.

Situações típicas

  • Carteira imobiliária subaproveitada dentro de um grupo
  • Projeto de desenvolvimento à procura de capital
  • Ativo a monetizar sem perder o uso operacional

Entregáveis

  • Inventário e avaliação da carteira
  • Plano de valorização com alternativas comparadas
  • Financiamento estruturado e execução acompanhada

O que decide o resultado Tratar o imóvel como ativo com retorno próprio. Enquanto for lido apenas como suporte da atividade que o ocupa, o seu valor não aparece em lado nenhum.

Linha de serviço 02

Reestruturação e situações especiais

Especialidade 06

Reestruturação financeira e captação de recursos

Reajustar o passivo à capacidade real de geração de caixa — e obter dos credores o tempo de que a operação precisa.

  • Revisão independente do negócio e fluxo de caixa projetado de treze semanas, que fixam o fôlego real de liquidez e o que é exequível em cada janela.
  • Negociação com credores — moratória, reperfilamento, carência, revisão de covenants, conversão em capital ou desconto — em mesa única sempre que possível.
  • Desenho da solução de capital: dívida, instrumentos híbridos, conversão de dívida em capital ou entrada de investidor, ponderando o efeito sobre o controle.
  • Captação privada junto de bancos, fundos de crédito e investidores, com preparação do material e condução do processo.
  • Condução por via extrajudicial sempre que possível e, quando inevitável, preparação e acompanhamento do processo de recuperação judicial.

Situações típicas

  • Perfil de dívida desajustado à geração de caixa
  • Covenants em risco ou incumprimento iminente
  • Necessidade de capital sem diluir o controle

Entregáveis

  • Revisão independente do negócio e fluxo de caixa de treze semanas
  • Term sheet e acordo-quadro formalizado com os credores
  • Capital captado e monitorização instalada

O que decide o resultado Um plano financeiro que a operação consiga cumprir. Sem isso, o reperfilamento é o mesmo problema adiado.

Especialidade 07

Reestruturação econômica (turnaround)

Quando o problema deixou de ser o balanço e passou a ser a operação — e alguém tem de estar no terreno todos os dias.

  • Diagnóstico que separa o que está deteriorado do que permanece intacto e isola as poucas decisões que determinam o desfecho.
  • Plano de recuperação com marcos, responsáveis e datas, ancorado no fluxo de caixa projetado semanal e numa governança de crise que o acompanha.
  • Intervenção simultânea nas três frentes — financeira, societária e operacional — porque isoladamente nenhuma resolve.
  • Assunção de funções executivas quando a situação o exige, incluindo a de Chief Restructuring Officer.
  • Condução de processos de recuperação judicial e da negociação com credores, trabalhadores e reguladores.

Situações típicas

  • Deterioração operacional com fundamentos intactos
  • Conflito societário a bloquear a decisão
  • Plano de negócios desatualizado face ao mercado

Entregáveis

  • Plano de recuperação com marcos e responsáveis
  • Governança de crise e monitorização permanente
  • Execução acompanhada no terreno

O que decide o resultado O diagnóstico operativo, não o financeiro. O passivo reajusta-se depressa; a operação que o há de servir, não.

Especialidade 08

Assessoria a credores

Do outro lado da mesa: representar quem tem crédito a receber, dentro ou fora do tribunal.

  • Análise de decisão sobre o investimento ou a exposição — avançar, sair ou aguardar — com o custo de cada via quantificado.
  • Avaliação independente do plano apresentado pelo devedor e do valor recuperável em cenário de continuidade e em cenário de liquidação.
  • Negociação em classe e articulação entre credores com interesses divergentes, dentro ou fora do processo judicial.
  • Estruturação de garantias, de conversão em capital e de instrumentos de recuperação em etapas do crédito.
  • Acompanhamento da execução do plano e do cumprimento dos compromissos assumidos pelo devedor.

Situações típicas

  • Credor em recuperação judicial de um devedor relevante
  • Investidor internacional com exposição a ativo local
  • Renegociação bilateral com garantias por executar

Entregáveis

  • Avaliação do plano e do valor recuperável
  • Posição negocial construída e sustentada em classe
  • Acordo formalizado e execução acompanhada

O que decide o resultado Confiança. Uma posição sustentada e conservadora é o único modo de um credor voltar a acreditar em números que deixaram de ser cumpridos.

Especialidade 09

Situações especiais e ativos ilíquidos

Ativos sem mercado organizado, cujo valor depende de quem os sabe avaliar e estruturar.

  • Avaliação de ativos ilíquidos — créditos vencidos, direitos creditórios, participações em sociedades em reestruturação e direitos litigiosos.
  • Estruturação de veículos para segregar passivos ou para recuperar e alienar ativos selecionados fora do perímetro operacional.
  • Construção de soluções de liquidez, da alienação simples à cessão estruturada com pagamento em etapas e partilha de recuperação.
  • Identificação e mobilização dos investidores especializados que operam nesta classe de ativos.
  • Correção das assimetrias de informação que explicam a maior parte do desconto a que estes ativos transacionam.

Situações típicas

  • Carteira de crédito vencido ou de difícil cobrança
  • Participação numa sociedade em reestruturação
  • Direito litigioso ou crédito judicial por monetizar

Entregáveis

  • Avaliação fundamentada do ativo ilíquido
  • Veículo ou estrutura de cessão desenhada
  • Contraparte identificada e operação executada

O que decide o resultado O preço de entrada. Num ativo ilíquido o retorno decide-se à entrada; a saída limita-se a confirmá-lo.

Especialidade 10

Club deal

Organização de consórcios de investidores para abrigar e financiar operações que nenhum interveniente assume sozinho.

  • Constituição do consórcio: identificação dos investidores adequados ao perfil de risco e ao horizonte da operação.
  • Estruturação do veículo que abriga o investimento, definindo entradas, instrumentos e prioridade de recuperação.
  • Negociação do acordo entre os membros do consórcio: governação, decisões reservadas, saída e diluição.
  • Articulação com gestoras de distressed private equity quando a operação exige captação adicional.
  • Para evitar conflitos, MCR não investe nos seus clientes de turnaround.

Situações típicas

  • Operação de grande dimensão para um único investidor
  • Turnaround que exige gestão, governação e funding simultâneos
  • Ativo sólido com sustentabilidade financeira deteriorada

Entregáveis

  • Consórcio constituído e veículo estruturado
  • Acordo entre investidores negociado
  • Plano de financiamento e de recuperação do capital

O que decide o resultado O alinhamento entre investidores antes de o veículo existir — horizonte, saída e o que acontece se for preciso mais capital.

Especialidade 11

Negociações complexas

Condução de processos negociais com múltiplas partes e interesses divergentes, até o acordo que os torna compatíveis.

  • Mapeamento das partes, dos seus interesses reais e das restrições que cada uma enfrenta.
  • Desenho da arquitetura da negociação: sequência, âmbito de cada mesa e matérias reservadas.
  • Articulação entre acionistas, credores, executivos, investidores e, quando aplicável, o regulador.
  • Construção de soluções de compromisso que preservem valor para o conjunto das partes.
  • Registro cronológico da negociação — cada proposta, a sua data e o prémio implícito face à posição anterior.

Situações típicas

  • Impasse entre acionistas ou entre acionistas e credores
  • Operação sujeita a restrições regulatórias
  • Reestruturação com muitos credores e interesses cruzados

Entregáveis

  • Mapa de partes, interesses e zona de acordo possível
  • Sequência negocial e matérias reservadas definidas
  • Cronologia negocial documentada e acordo formalizado

O que decide o resultado Quem participa, que informação circula e o que acontece se não houver acordo — tudo decidido antes de se discutir números.

Linha de serviço 03

Conselhos, acionistas e famílias

Especialidade 12

Assessoria continuada ao conselho

Um assento não é uma operação com começo e fim: é estar presente nas decisões que não se executam — e responder por elas de forma continuada.

  • Pareceres sobre os temas em discussão no conselho, escritos antes da reunião e não durante.
  • Documentos de enquadramento macroeconômico: as perspectivas de longo prazo sobre as quais a decisão estratégica se apoia.
  • Apoio à governança — interpretação dos estatutos, regulamentos internos e propostas de funcionamento dos órgãos.
  • Gestão da relação entre o conselho e os restantes órgãos, incluindo a gestão executiva.
  • Participação em equipes de negociação, incluindo a sua liderança, nos temas internos ou externos que o justificam.

Situações típicas

  • Conselho sem competência financeira própria
  • Grupo familiar a profissionalizar a governança
  • Comitê de investimento a decidir alocação

Entregáveis

  • Pareceres e notas de enquadramento
  • Regulamentos e propostas de governança
  • Presença continuada e responsabilidade declarada

O que decide o resultado Chegar à reunião com o dossiê lido e o parecer escrito. Um conselho decide com o que tem à frente — e quem prepara o que está à frente decide mais do que parece.

Especialidade 13

Governança societária

Desenho da estrutura societária, dos estatutos e do acordo de acionistas que sustentam a relação entre os sócios ao longo do tempo.

  • Reestruturação societária: simplificação de cadeias de holdings, cisões e reorganização de participações.
  • Revisão estatutária: órgãos sociais, competências, maiorias qualificadas e matérias reservadas à assembleia.
  • Acordo de acionistas: direitos de voto, entrada e saída de sócios, preferência, tag e drag along.
  • Mecanismos de resolução de impasses e de proteção das minorias, evitando o bloqueio da sociedade.
  • Definição da composição do conselho e da articulação entre acionistas, administração e gestão executiva.

Situações típicas

  • Estrutura societária desajustada à realidade do negócio
  • Entrada de novo sócio ou de investidor financeiro
  • Conflito recorrente por falta de regras claras

Entregáveis

  • Estrutura societária revista e simplificada
  • Estatutos e acordo de acionistas negociados
  • Regras de governação e de resolução de impasses

O que decide o resultado Partir de como a empresa é realmente gerida, não de um modelo. Governança transposta produz forma sem função.

Especialidade 14

Sucessão familiar

Preparação e execução da transição patrimonial entre gerações, com a avaliação e a negociação intra-familiar que a tornam exequível.

  • Avaliação independente do patrimônio e das participações, base indispensável a qualquer partilha aceito por todos.
  • Negociação intra-familiar em reuniões bilaterais, ramo a ramo, antes de qualquer reunião conjunta: é aí que as expectativas se ajustam e que a partilha passa a ser sentida como justa.
  • Desenho da estrutura de transição — cisão, holding familiar, doação ou alienação parcial — e do seu calendário.
  • Definição do papel de cada membro da família na propriedade, na gestão e nos órgãos sociais.
  • Articulação com os assessores fiscais e jurídicos da família, mantendo a coerência do desenho global.

Situações típicas

  • Passagem de geração sem plano de sucessão definido
  • Ramos familiares com projetos e horizontes divergentes
  • Necessidade de separar propriedade e gestão

Entregáveis

  • Avaliação independente do patrimônio e das participações
  • Estrutura de transição desenhada e calendarizada
  • Acordo familiar negociado e formalizado

O que decide o resultado As reuniões bilaterais, ramo a ramo, antes de qualquer mesa comum. É aí que as expectativas se ajustam e a partilha passa a ser sentida como justa.

Especialidade 15

Pareceres de valor (fairness opinions)

Um conselho que delibera sobre uma transação com parte relacionada precisa de uma opinião que não seja a sua.

  • Opinião independente sobre a adequação financeira da transação, dirigida ao conselho de administração ou à comissão de independentes constituída para o efeito.
  • Intervalo de referência de valor — nunca um valor pontual — apurado por métodos independentes: fluxos de caixa descontados, múltiplos de comparáveis e de transações precedentes.
  • Verificação prévia de independência: a remuneração é fixa e não depende do desfecho da transação.
  • Apresentação à comissão, com resposta às questões dos seus membros e um dossiê construído para resistir a escrutínio de minoritários, do regulador ou de um tribunal.
  • Parâmetros selecionados explicitados um a um — taxa de desconto, crescimento na perpetuidade, múltiplo terminal — e materiais sucessivos com registro do que mudou face à versão anterior e porquê.

Situações típicas

  • Transação com parte relacionada
  • Conselho ou comissão a precisar de conforto independente
  • Divergência entre acionistas quanto ao preço

Entregáveis

  • Opinião fundamentada sobre a adequação financeira
  • Intervalo de referência de valor, por método
  • Materiais de discussão versionados e rastreáveis

O que decide o resultado A independência ser demonstrável: honorário fixo, parâmetros explicitados e materiais versionados que resistam a escrutínio posterior.

O que se defende

As quatro posições

Convicções que condicionam a forma como cada mandato é conduzido — e que se apresentam para serem discutidas, não para serem aceitos.

01

A análise prévia é quase sempre insuficiente

O erro mais frequente que se observa nos conselhos, em reestruturação, é decidir sobre um diagnóstico raso. O que costuma faltar não é informação financeira: é a compatibilização entre a componente financeira e a componente operativa. Um plano de reperfilamento que a operação não consegue cumprir não é uma solução — é o mesmo problema adiado, com menos margem e menos credibilidade junto dos credores.

02

Avaliação: valor presente ajustado, não custo médio ponderado

Quando a estrutura de capital muda ao longo do horizonte — a regra em reestruturação, em aquisição alavancada e em qualquer operação com dívida variável — descontar o fluxo de caixa a um custo médio ponderado constante assume aquilo que devia demonstrar. O valor presente ajustado separa o valor da operação do valor do financiamento e mostra de onde vem, de fato, o valor.

03

A proposta a credores é um exercício de confiança

Negociar com credores é, antes de tudo, restabelecer confiança. A posição apresentada tem de ser sustentada e conservadora — é o único modo de um credor voltar a acreditar nos números de quem deixou de os cumprir. E é por vir de um terceiro independente, sem interesse no desfecho, que o documento consegue produzir esse efeito.

04

Governança não se transpõe

Modelos de governança copiados de outra empresa, ou de um manual, falham por não corresponderem à realidade operativa concreta nem ao histórico de gestão. Um conselho com competências que a empresa não usa, ou comitês que duplicam decisões já tomadas em outro lugar, produzem forma sem função. A governança desenha-se a partir de como a empresa é gerida — e de quem a geriu até aqui.

A raiz acadêmica destas posições, e os artigos que as sustentam, estão em Formação e pesquisa.